Nesta seção reunimos saberes, práticas e análises que atravessam o trabalho do Instituto Toriba. São referências que nos ajudam a pensar e agir a partir de outras centralidades — com os pés fincados nos territórios e os olhos atentos aos sinais do tempo.
Organizamos esse acervo em três caminhos complementares:
- Modos de Fazer: métodos, ferramentas e experiências aplicadas que inspiram formas coletivas de atuação.
- Epistemologias do Sul: pensamentos críticos e ancestrais que sustentam outras formas de conhecer, sentir e transformar.
- Mapas de Contexto: tendências e leituras de cenário que ajudam a compreender os desafios do presente e orientar escolhas para o futuro.
Não se trata de um arquivo fixo, mas de um território em movimento, vivo e aberto a múltiplas leituras. Uma base para nutrir o que estamos construindo — e o que ainda virá.
- Modos de Fazer:
Kit de Ferramentas para o Amanhã: Antecipando os Futuros da Sociedade Civil
Este guia foi desenvolvido para ajudar organizações da sociedade civil a navegar em cenários futuros no horizonte de 5 a 20 anos, período crítico onde as ações de hoje definem os resultados de amanhã. Com uma abordagem prática e acessível, mesmo para quem não tem experiência em Estudos de Futuros ou Foresight Estratégico, o kit oferece ferramentas concretas para antecipar tendências, identificar riscos e oportunidades, e fortalecer a resiliência organizacional.
Criado a partir das lições aprendidas no Foro Cívico Internacional 2023 e integrado à iniciativa “Antecipando Futuros para o Espaço Cívico” do International Civil Society Centre (2022-2025), este material é voltado para organizações da sociedade civil, redes e ativistas que buscam ampliar sua capacidade de planejamento estratégico de longo prazo. As atividades propostas podem ser aplicadas tanto internamente, envolvendo equipes multidisciplinares, quanto em colaboração com parceiros e comunidades, garantindo diversas perspectivas na construção de cenários futuros.
O kit inclui exercícios e um roteiro de acompanhamento, que podem ser usados em sequência ou de forma independente, conforme as necessidades da organização. Com modelos e orientações claras, facilita a implementação mesmo para iniciantes. Seu objetivo é transformar a incerteza do futuro em um campo de possibilidades, onde a sociedade civil possa não apenas se adaptar, mas também moldar ativamente os caminhos que deseja seguir. Acesse em https://solidarityaction.network/wp-content/uploads/Kit-de-herramientas-para-el-manana.pdf
Reimagining Development: The Inclusive Imaginaries Toolkit
Este documento traz um conjunto de ferramentas criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em colaboração com o Poppy Seed Lab e os escritórios do PNUD em diversos países da Ásia-Pacífico. O objetivo é promover a reflexão e a imaginação coletiva para engajar cidadãos na construção de futuros mais justos, equitativos e inclusivos, integrando a imaginação como um processo chave na formulação de políticas. A ideia é reunir perspectivas comunitárias enraizadas na experiência e cultura locais para apoiar o desenvolvimento de visões mais contextuais para a elaboração de políticas e programas públicos. O kit inclui várias ferramentas, cada uma com uma intenção, participação e resultado específicos e também fornece orientações sobre como selecionar as ferramentas mais relevantes, onde podem ser implementadas e como preparar um workshop de Imaginações Inclusivas, apresentando sugestões para participação, idioma, formato do workshop, estímulo à imaginação, definição do horizonte futuro e foco temático. O baixe aqui o documento https://drive.google.com/file/d/1rGLttPKgIB9rxr6ueOk0oWljO8CdXgs-/view?usp=drive_link
“Riscar pontos, firmar força e alumbrar sonhos ancestrais”
O artigo “Riscar pontos, firmar força e alumbrar sonhos ancestrais” de Luiz Rufino, publicado na revista Arcos Design, discute a questão colonial e a necessidade de inventar novas formas de ser e de sustentar outros mundos. Rufino reflete sobre a dimensão das narrativas e a importância de oralizar a escrita no meio acadêmico, baseando-se em pensadores como Antonio Bispo dos Santos, Leda Maria Martins e Ailton Krenak. Clique aqui para ler o texto. https://drive.google.com/file/d/1H74DUnvDNmouBctStHyDblw5zeOAjycI/view?usp=drive_link
- Epistemologias do Sul: (colocaremos os pdfs para download, quando possível)
Designs porvir por meio de imagens de luta pela Terra e por terras, e levantes do céu – sobre titãs, xamãs e mulheres guerreiras
Neste artigo, Barbara Szaniecki explora a relação entre imagens, lutas sociais e políticas, e novos imaginários para o futuro, especialmente no contexto da Terra e dos povos indígenas. O documento inclui referências bibliográficas e uma seção de imagens que ilustram os conceitos discutidos. Leia na íntegra: https://docs.google.com/document/d/1aGU2EH5jiPQn06f_G-g2mMK_Q86jdnTl3z6aTbQt-Ro/edit?tab=t.yd6sb7qgyj7b
Futuro Ancestral
A publicação “Futuro Ancestral” de Ailton Krenak, organizada por Rita Carelli, traz uma coletânea de textos que aborda a relação entre a humanidade, a natureza e os sistemas que moldam nossa existência. O livro é dividido em capítulos como “Saudações aos rios”, “Cartografias para depois do fim”, “Cidades, pandemias e outras geringonças”, “Alianças afetivas” e “O coração no ritmo da terra”. Krenak invoca a ideia de um “futuro ancestral”, sugerindo que o futuro já estava presente e que a humanidade precisa reconectar-se com os saberes e práticas dos povos originários para encontrar um caminho. Ele critica a forma como as cidades se expandem sobre os rios, desrespeitando-os e transformando-os em esgoto, e lamenta a perda da conexão com a água e a natureza. O autor destaca a importância dos rios como seres vivos e ancestrais, mencionando o rio Doce (Watu) e outros rios da Amazônia.
Bem Viver como paradigma de desenvolvimento: utopia ou alternativa possível?
O artigo “Bem Viver como paradigma de desenvolvimento: utopia ou alternativa possível?” de Liliane Cristine Schlemer Alcantara e Carlos Alberto Cioce Sampaio, publicado em 2017, discute o conceito do “Bem Viver” como uma alternativa ao modelo de desenvolvimento tradicional focado no consumo. A pesquisa, que utilizou um estudo bibliométrico de 66 periódicos publicados entre 2001 e 2015, busca identificar o que já foi publicado sobre o “Bem Viver”, “Buen Vivir/Vivir Bien” e “Good Living”. Os autores investigam as origens e fundamentos conceituais do termo, sua relação com a interculturalidade e a transdisciplinaridade, e suas aproximações com ecossocioeconomias e movimentos alternativos ao desenvolvimento. https://drive.google.com/file/d/1OWFmkkJCPit-CzJSWRoIM0YHw98YmMw6/view
Kamchatka – Revista de Análise Cultural
O volume “Futurismo Afrolatinoamericano, Ficção Científica Neoindigenista e Pós-Indigenismo Latino-Americano” da Revista Kamchatka apresenta um dossiê temático inovador, editado por Teresa López-Pellisa, que explora as intersecções entre futurismo afrolatino-americano, ficção científica neoindigenista e pós-indigenismo na produção cultural contemporânea. Com quinze artigos acadêmicos, a obra investiga como povos indígenas e afrodescendentes são representados na ficção especulativa latino-americana, desafiando narrativas hegemônicas e propondo futuros alternativos. A publicação discute a fusão entre gêneros literários e tradições ancestrais, dando origem ao que se denomina “futurismo maravilhoso” – uma estética que combina ficção científica com mitologias ameríndias e afro-diaspóricas. Além disso, debate as diferenças entre pós-humanismo crítico e transumanismo, destacando a importância de epistemologias marginalizadas na construção de futuros decoloniais. A revista reforça o papel da ficção científica como prática política, capaz de questionar o cânone ocidental e amplificar vozes historicamente silenciadas. Ao promover autorrepresentações e futuros alternativos, a Kamchatka se consolida como um espaço acadêmico que incentiva reflexões sobre equidade, sustentabilidade e justiça social. Acesse: https://drive.google.com/file/d/1DKFxjASrf1VqJc_5eWzKk1DAqSGNGbY0/view
Inviting a decolonial praxis for future imaginaries of nature: Introducing the Entangled Time Tree
Em um mundo onde as projeções de futuro seguem lógicas ocidentais e lineares, este artigo de Naomi Terry, Azucena Castro, Bwalya Chibwe, Geci Karuri-Sebina, Codruţa Savu e Laura Pereira, propõe uma revolução temporal. Partindo das tradições orais, dos griots e do folclore africano, a pesquisa revela como essas narrativas ancestrais oferecem caminhos alternativos para conceber tempos mais justos e sustentáveis. A “Árvore do Tempo Emaranhada” não é apenas um conceito – é um convite para repensarmos como lidamos com passado, presente e futuro, valorizando saberes marginalizados que desafiam a colonialidade do tempo. Que histórias precisamos ouvir para construir futuros verdadeiramente diversos? Como a cura das memórias traumáticas pode abrir espaço para novas possibilidades? Este artigo oferece pistas urgentes para essas questões, mostrando que outro amanhã é possível quando olhamos para as raízes. Leia o artigo completo e deixe-se inspirar por futuros que já estão sendo semeados. Acesse: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1462901123002642
To Anticipation to Emancipation
Esta publicação, de Sohail Inayatullah, explora uma teoria de estágios para o uso dos Estudos de Futuros, baseada em estudos de caso e décadas de experiência. Ele aprofunda a estrutura dos “Seis Pilares” (mapeamento, antecipação, cronometragem, aprofundamento, criação de alternativas, transformação) e sugere que diferentes métodos e ferramentas de estudos do futuro são apropriados para diferentes contextos (nacionais, institucionais, organizacionais e pessoais). O autor argumenta que as organizações e indivíduos não precisam necessariamente seguir os estágios em ordem hierárquica, e que a sensibilidade ao contexto cognitivo e emocional do cliente é crucial. O objetivo final é capacitar grupos e indivíduos para criar justiça em seus mundos percebidos, passando de um futuro para futuros alternativos e, finalmente, para a realização de futuros preferidos, transformando a “realidade do castelo cercado por lobos famintos” em emancipação.
https://drive.google.com/file/d/10op0044DPNdCqoiUHZm0TCYp64djGD44/view?usp=drive_link
O Bem viver: uma oportunidade de imaginar outros mundos
Inspirado nas filosofias indígenas andinas e amazônicas, o Bem Viver propõe uma vida em harmonia com a natureza e baseada na comunidade. Alberto Acosta critica o modelo de desenvolvimento ocidental, que gerou desigualdades profundas, exploração predatória dos recursos naturais e uma crise civilizatória que ameaça a própria existência humana. Entendida como uma publicação que apresenta um projeto emancipador, o Bem Viver se opõe ao fatalismo do “desenvolvimento” e à lógica de acumulação capitalista, buscando sociedades solidárias sustentáveis.
Capacity to Decolonise: Building Futures Literacy in Africa
Neste artigo, os pesquisadores Kwamou Eva Feukeu, Bunmi Ajilore e Robin Bourgeois, com colaborações de Riel Miller, Fred Carden e Geci Karuri-Sebina, investigam como o Letramento em Futuros pode contribuir para processos de descolonização no continente africano. A publicação amplia o conceito de colonialidade ao incluir a “colonização do futuro”, entendido como forma de dominação que se expressa na imposição de visões hegemônicas e na centralidade de métodos ocidentais de produção de conhecimento. Os autores defendem a valorização de saberes locais e a construção de capacidades endógenas como caminhos para libertar a imaginação coletiva e fomentar sociedades pluriversais, abertas à diversidade e à emergência de novos horizontes. A leitura é indicada para quem deseja compreender como os Estudos de Futuros podem se tornar ferramentas de transformação social e cultural, especialmente em contextos marcados por legados coloniais. Confira em : https://drive.google.com/file/d/1kT3WrkQz6F-g8ahb5xZCbs9Sl6WFQdrL/view?usp=drive_link
- Mapas de Contexto:
Futures Thinking and Strategic Foresight in Action
Este relatório apresenta práticas inovadoras de pensamento de futuros e prospectiva estratégica aplicadas no Sul Global. Com foco em inclusão, diversidade epistemológica e transformação social, a publicação reúne estudos de caso e metodologias que desafiam paradigmas e ampliam horizontes de decisão. Produzido em parceria pelo UN Futures Lab e o International Science Council, o documento convida formuladores de políticas, cientistas e lideranças sociais a refletirem sobre como imaginar e construir futuros mais justos e sustentáveis. Disponível em: https://un-futureslab.org/wp-content/uploads/2025/05/UN-Futures-Lab-ISC-2025.-Futures-Thinking-Strategic-Foresight-in-Action-Insights-from-the-Global-South-2.pdf
Inteligência Artificial centrada nos Povos Indígenas: perspectivas da América Latina e Caribe
Este relatório da UNESCO propõe uma abordagem ética e inclusiva para o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), orientada pelas necessidades e saberes dos povos indígenas da América Latina e do Caribe. O texto alerta para os riscos de exclusão e aprofundamento das desigualdades tecnológicas, e ressalta que, se aplicada de forma ética e responsável, a IA pode se tornar uma aliada na preservação de culturas, na revitalização de línguas ameaçadas e na promoção da soberania de dados. Com exemplos concretos e recomendações baseadas na Recomendação sobre a Ética da IA (2021), o documento convida à construção de uma “sabedoria artificial” plural, descolonizada e enraizada nas realidades locais. Acesse em : https://drive.google.com/file/d/1yNLPc08T5eHZEVmvTpPSBG5Sd_qpRz4e/view?usp=drive_link
The Future of Collaborative Technology and Democracy
E. Glen Weyl e Audrey Tang analisam neste livro como diferentes ideologias – como a tecnocracia e o libertarianismo corporativo – influenciaram os rumos da inovação tecnológica nas últimas décadas. Ao priorizar a automação e mercados desregulados, esses modelos contribuíram para o aumento da desigualdade e para o enfraquecimento da confiança nas instituições democráticas. Os autores defendem que, se a sociedade decidir orientar o progresso tecnológico com base em valores democráticos, será possível superar a estagnação digital e construir um futuro mais justo. Como alternativa ao modelo dominante, propõem a “democracia digital”: uma abordagem que valoriza o investimento público, a participação cidadã e o uso da tecnologia como ferramenta para fortalecer o bem comum.
https://drive.google.com/file/d/1UcRK6yK3hyjBZiU6SuIT0vATxXCEm-pO/view?usp=drive_link
Global Scenarios 2035
O relatório “Global Scenarios 2035 – Exploring Implications For The Future Of Global Collaboration And The OECD” projeta três possíveis cenários: a fragmentação da humanidade em grupos isolados em realidades digitais (“Mundo Multitrilha”); a predominância da vida em ambientes virtuais (“Mundos Virtuais”); ou a emergência de ameaças existenciais que exigem colaboração sem precedentes (“Mundo Vulnerável”). Diante dessas possibilidades, a organização destaca a necessidade de fortalecer seu papel como construtora de pontes, ampliando parcerias com o setor privado e a sociedade civil. O documento aponta ainda que será crucial atualizar valores, investir em infraestrutura digital e aprimorar a capacidade de antecipar e se adaptar a novas prioridades. O objetivo é preparar a OCDE para um futuro imprevisível, garantindo não apenas sua agilidade e resiliência, mas também sua relevância em um mundo em rápida transformação. https://drive.google.com/file/d/1Xq5hNcmCgzpvl_Egt-Cm6keb369rdnp2/view?usp=drive_link
Scanning the Horizon: The Future of Digital Rights & Resilience in the Global Majority
Este relatório, produzido pela Global Network for Social Justice & Digital Resilience, mergulha nas complexas tendências que moldam o futuro digital, com foco especial no Sul Global. A geopolítica, marcada pela competição EUA-China, redefine o acesso à tecnologia, enquanto a alta dívida pública e o encolhimento do espaço cívico exigem novas estratégias de engajamento e financiamento para organizações. A consolidação de poder em poucas empresas de tecnologia, apesar das ações antitruste que trazem esperança de descentralização, e a crescente adoção de políticas de localização de dados, são tendências tecnológicas cruciais. Para o ativismo, a convergência com a agenda de direitos humanos e a necessidade de diversificar o financiamento, juntamente com a atenção à higiene digital e aos riscos de vigilância, tornam a “abordagem em rede” um imperativo estratégico para construir um cenário digital mais inclusivo e resiliente. https://drive.google.com/file/d/1JahtqEY24slWsWXnC86QFim2nBkzPu9T/view?usp=drive_link
Destaque De Mudança Pnud 2024 – Esperança Para Todas As Gerações
O relatório “PNUD Sinais de Mudança 2024: Esperança para Todas as Gerações” mergulha na crucial questão da equidade intergeracional, defendendo que as decisões de hoje devem garantir um legado de oportunidades, e não de dívidas, para as gerações futuras. Analisando tendências que moldarão o desenvolvimento nos próximos 3 a 10 anos, o documento explora 16 temas divididos em três áreas: a esperança por um futuro equitativo em diversas esferas (justiça entre espécies, regiões e tempo), a necessidade de progresso tecnológico responsável, especialmente com a IA e a biotecnologia, e a construção de comunidades resilientes e conectadas diante de ameaças como desinformação e solidão. Baseado nas observações de exploradores de sinais do PNUD e especialistas, o relatório destaca a esperança como um catalisador para a ação, abordando desafios como desigualdade e mudanças climáticas, mas propondo inovações em governança, como órgãos para direitos de gerações futuras e o uso de IA na democracia, além de reforçar a importância da colaboração multilateral para um futuro mais justo e equitativo para todos. https://drive.google.com/file/d/1N_hFS_5iBjZdcsGhKWNBgoicDGQhwQru/view?usp=drive_link
“Reimagining Development: Inclusive Imaginaries” do PNUD
repetido está originalmente em modos de fazer. https://drive.google.com/file/d/1LzGZaaq840Qm7VrIdlbwXNf1zlWtdRq-/view?usp=drive_link
