“Foundations of Radical Philanthropy”
Entre reprodução e ruptura, a filantropia radical emerge como alternativa. Seus princípios apontam para práticas capazes de sustentar transformações estruturais além da lógica do capital.
Como uma instituição que frequentemente busca reparar a desigualdade global e a pobreza, a filantropia é comumente descartada como algo que ou mascara causas estruturais, ou oferece uma resposta insuficiente, ou até mesmo contribui para o próprio problema. De todo modo, a filantropia tem sido cada vez mais rotulada como “filantrocapitalismo”, por servir aos interesses do capital. Mas e quanto à filantropia que se engaja, que busca transcender e que tenta oferecer alternativas ao status quo? Essas formas de filantropia têm sido destacadas na literatura, mas seus fundamentos radicais ainda podem ser melhor esclarecidos. Ao buscar fazê-lo, este artigo (a) mobiliza uma teoria radical da pobreza, (b) extrai princípios-chave da filantropia radical e (c) destaca criticamente a necessidade de considerar a filantropia radical como uma alternativa ao filantrocapitalismo. A filantropia radical é bastante distinta e, embora possa ser irrealista esperar que fundações individuais incorporem todos os seus princípios, coletivamente elas podem ser vistas como uma contribuição importante e concreta para a realização do aforismo, popularizado pelo Fórum Social Mundial, de que “um outro mundo é possível”.