Ensaios
Disputar o imaginário também é fazer política
Luciana Minami
1 min
13 jul 2026
Quando essas perspectivas não aparecem nas narrativas dominantes, não se trata apenas de uma questão de representatividade. Trata-se de limitação de horizonte. Um futuro que não consegue se ver plural é, por definição, um futuro empobrecido.
Perguntar quem ainda não se vê nas histórias que contamos é, portanto, mais do que um exercício crítico — é um convite à reconfiguração. Exige deslocar o olhar, revisar repertórios e, sobretudo, abrir espaço para que outras vozes não apenas participem, mas conduzam processos de imaginação.
Talvez o desafio não seja apenas incluir mais pessoas nas histórias já existentes, mas permitir que outras histórias surjam — com outras lógicas, outros tempos e outras formas de existir. Porque ampliar quem imagina é, também, ampliar o que pode ser imaginado.
E, nesse movimento, o futuro deixa de ser um destino pré-definido para se tornar um campo em disputa — onde diferentes mundos não apenas coexistem, mas reivindicam a possibilidade de existir.