{"id":6990,"date":"2026-08-17T10:08:30","date_gmt":"2026-08-17T13:08:30","guid":{"rendered":"https:\/\/toriba.org.br\/?post_type=conteudo&#038;p=6990"},"modified":"2026-09-02T09:55:08","modified_gmt":"2026-09-02T12:55:08","slug":"governanca-de-organizacoes-sem-fins-lucrativos-especulacoes-sobre-o-que-isso-pode-ser","status":"publish","type":"conteudo","link":"https:\/\/toriba.org.br\/en\/conteudo\/governanca-de-organizacoes-sem-fins-lucrativos-especulacoes-sobre-o-que-isso-pode-ser\/","title":{"rendered":"Governance of non-profit organizations: speculations about what this might be"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>Sistemas vivos mudam para se preservar.<br><\/em>\u2014 Margaret Wheatley<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Governan\u00e7a \u00e9 um conceito gigante em que cabe uma mir\u00edade de possibilidades de a\u00e7\u00f5es e processos, por meio dos quais coletivos e organiza\u00e7\u00f5es surgem e persistem. Qualquer modelo de governan\u00e7a pressup\u00f5e intera\u00e7\u00f5es entre diferentes atores para estabelecer acordos para tomada de decis\u00e3o. \u00c9, portanto, um sistema de rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se trata de organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, orientadas por uma miss\u00e3o social e nas quais valores e vis\u00f5es s\u00e3o explicitamente compartilhados, \u00e9 de imaginar que as rela\u00e7\u00f5es sejam baseadas em confian\u00e7a, esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o, abertura e respeito \u00e0s diferen\u00e7as. Entretanto, \u00e9 muito comum que conversas sobre a governan\u00e7a das organiza\u00e7\u00f5es causem apreens\u00e3o e desconforto entre lideran\u00e7as e equipes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez isso aconte\u00e7a porque ainda hoje prevalecem pressupostos sobre o tema, que s\u00e3o heran\u00e7as de um pensamento cibern\u00e9tico e linear de comando e controle, e de uma l\u00f3gica de exerc\u00edcio de poder vertical. Entre as cren\u00e7as que embasam essa vis\u00e3o, est\u00e1 a ideia de que \u00e9 preciso controlar para mitigar problemas e superar diverg\u00eancias, e de que o poder de controle deve ser exercido por \u00f3rg\u00e3os e atores de autoridade que se situam no topo de uma hierarquia, apoiados por sistemas de regras fixas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos problemas dessa perspectiva \u00e9 que ela tende a gerar distanciamento entre conselhos, diretorias e o restante da equipe das organiza\u00e7\u00f5es. O exerc\u00edcio do poder orientado a controlar e evitar problemas leva a enrijecimentos, limita\u00e7\u00e3o da criatividade, impulsos de autoprote\u00e7\u00e3o nas pessoas em diferentes n\u00edveis da hierarquia, medo da reprova\u00e7\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o ou ocultamento de vulnerabilidades, falta de confian\u00e7a, aliena\u00e7\u00e3o e adoecimento pessoal e coletivo, entre outros efeitos. Al\u00e9m disso, diante de toda a imprevisibilidade dos nossos dias, como uma organiza\u00e7\u00e3o que opera a partir da l\u00f3gica de comando\/controle pode aprender e adaptar-se? Como ser resiliente e flex\u00edvel se a estrutura de governan\u00e7a n\u00e3o possibilitar renegociar regras com a agilidade que a realidade demanda? Como alimentar o senso de pertencimento e prop\u00f3sito compartilhado entre equipes e conselhos se n\u00e3o h\u00e1 proximidade e confian\u00e7a que acolham fragilidades?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Felizmente, est\u00e3o emergindo outras formas de pensar e colocar em pr\u00e1tica modelos de governan\u00e7a que desafiam ou negam completamente a l\u00f3gica vertical de exerc\u00edcio de poder. As pr\u00e1ticas horizontais de distribui\u00e7\u00e3o de poder e de tomada de decis\u00f5es s\u00e3o cada vez mais comuns em organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil \u2013 principalmente entre as mais jovens. H\u00e1 experimenta\u00e7\u00f5es valiosas em curso, e elas n\u00e3o ocorrem sem dor. Modelos radicalmente comprometidos com a horizontalidade, embora ricos, generativos e criadores de maior senso de pertencimento e coes\u00e3o dentro das organiza\u00e7\u00f5es, dificilmente s\u00e3o compreendidos por institui\u00e7\u00f5es financiadoras, demandam esfor\u00e7os de adapta\u00e7\u00e3o a marcos regulat\u00f3rios e legais existentes no Brasil (\u00e0s vezes gerando artificialidades em documentos e sistemas) e encontram resist\u00eancias mesmo entre algumas estruturas coletivas de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, como redes e coaliz\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, embora seja fato que h\u00e1 novos desenhos de governan\u00e7a surgindo, \u00e9 importante lembrar que esse \u00e9 um processo de mudan\u00e7a de cultura \u2013 n\u00e3o acontece da noite para o dia. Al\u00e9m disso, modelos horizontais frequentemente encontram seu limite \u00e0 medida que as organiza\u00e7\u00f5es crescem e seus processos de gest\u00e3o e governan\u00e7a tornam-se mais complexos. Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode afirmar que estruturas horizontais garantam a agilidade necess\u00e1ria para responder \u00e0 velocidade das mudan\u00e7as que ocorrem nos contextos em que as organiza\u00e7\u00f5es atuam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estou convencida de que as possibilidades de experimenta\u00e7\u00e3o em processo de governan\u00e7a n\u00e3o se resumem \u00e0 racionalidade vertical ou horizontal. Desse modo, pensando na riqueza de outros caminhos e movimentos poss\u00edveis, tenho alimentado perguntas que gostaria de compartilhar aqui:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 Seria poss\u00edvel experimentar a governan\u00e7a institucional em fluxos alternados de verticalidade e horizontalidade nos processos, considerando todos os atores envolvidos igualmente importantes, interconectados e interdependentes?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 Como seria a governan\u00e7a de organiza\u00e7\u00f5es que envolvessem atores-chave de seus territ\u00f3rios, tanto humanos quanto n\u00e3o humanos? Por exemplo, o que teria um rio a dizer sobre a governan\u00e7a de uma institui\u00e7\u00e3o sediada \u00e0s suas margens? O que acontece quando se percebe e dialoga com o campo informacional e energ\u00e9tico mais amplo que comp\u00f5e sistemas coletivos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 O que poderia ser feito se houvesse estruturas e din\u00e2micas pensadas para aprofundar a qualidade das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas na organiza\u00e7\u00e3o, incluindo as conselheiras e colaboradoras que n\u00e3o est\u00e3o no dia a dia do trabalho? O que acontece quando as dist\u00e2ncias entre as pessoas s\u00e3o encurtadas, quando os pressupostos baseados no medo da autoridade e da cr\u00edtica s\u00e3o expostos, e possibilidades de participa\u00e7\u00e3o e pertencimento s\u00e3o aprofundadas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 Como a governan\u00e7a pode estar a servi\u00e7o do aprendizado individual e coletivo, atenta \u00e0s emergentes transforma\u00e7\u00f5es dos sistemas e das culturas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o conhe\u00e7o respostas definitivas para nenhuma dessas perguntas. Tamb\u00e9m por isso acho t\u00e3o interessante a explora\u00e7\u00e3o das possibilidades para as quais elas apontam. Nessas explora\u00e7\u00f5es, gosto das provoca\u00e7\u00f5es e caminhos oferecidos por Margaret Wheatley:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O que vai emergir, \u00e0 medida que recuperarmos identidades afirmativas de vida? Que nova cultura vai se formar em n\u00f3s mesmas, nossas fam\u00edlias, nossas organiza\u00e7\u00f5es? Tudo depende dos valores que incorporarmos desde o princ\u00edpio. Se incorporarmos valores ecol\u00f3gicos, se nos focarmos nas rela\u00e7\u00f5es, se posicionarmos o aprendizado como um valor essencial, se buscarmos nos comportar como parceiras da vida, ent\u00e3o teremos fortes chances de nos manifestar, auto-organizarmos como indiv\u00edduos vivendo e trabalhando com um prop\u00f3sito compartilhado em uma comunidade saud\u00e1vel. Como seria maravilhoso sermos mais capazes de ver claramente, escolher conscientemente, e saber o que fazer.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que vai emergir, \u00e0 medida que recuperarmos identidades afirmativas de vida? Que nova cultura vai se formar em n\u00f3s mesmas, nossas fam\u00edlias, nossas organiza\u00e7\u00f5es? Tudo depende dos valores que incorporarmos desde o princ\u00edpio. Se incorporarmos valores ecol\u00f3gicos, se nos focarmos nas rela\u00e7\u00f5es, se posicionarmos o aprendizado como um valor essencial, se buscarmos nos comportar como parceiras da vida, ent\u00e3o teremos fortes chances de nos manifestar, auto-organizarmos como indiv\u00edduos vivendo e trabalhando com um prop\u00f3sito compartilhado em uma comunidade saud\u00e1vel. Como seria maravilhoso sermos mais capazes de ver claramente, escolher conscientemente, e saber o que fazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Governan\u00e7a pode ser mais que comando e controle. \u00c9 poss\u00edvel experimentar sistemas de governan\u00e7a que se originam da vida e servem a ela, em fluxos org\u00e2nicos que dialogam com cada parte e com o todo. O caminho nos convida a explor\u00e1-lo e n\u00e3o h\u00e1 respostas definitivas. Por isso, todas as perguntas, exemplos de tentativa e erro, e experi\u00eancias de imagina\u00e7\u00e3o ativa s\u00e3o bem-vindos.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\"><\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sistemas vivos mudam para se preservar.\u2014 Margaret Wheatley Governan\u00e7a \u00e9 um conceito gigante em que cabe uma mir\u00edade de possibilidades de a\u00e7\u00f5es e processos, por meio dos quais coletivos e organiza\u00e7\u00f5es surgem e persistem. 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