“‘Future Shock’: Manifestos in the Digital Age”
O manifesto ressurge como forma política e estética na cultura digital. Mais do que declaração, funciona como instrumento de enunciação coletiva que abre espaço para novas ideias e movimentos.
O manifesto é atualmente uma das formas mais úteis e vitais no ambiente online. Há muitas razões para seu ressurgimento, incluindo o retorno de políticas radicais no Ocidente desde a crise financeira de 2008 e a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016, além do crescimento acelerado das redes sociais. Houve várias ondas de escrita de manifestos desde que Marx e Engels publicaram O Manifesto Comunista em 1848 e que “O Manifesto Futurista”, de F. T. Marinetti, apareceu na capa do Le Figaro em 1909. O retorno mais recente ocorre após um longo período de declínio do gênero, que chegou quase à obscuridade. Hoje, o manifesto é mais relevante do que nunca: nenhum movimento político de base ou coletivo artístico está completo sem uma declaração de princípios. Mais uma vez, “ismos” e movimentos sociais — do 3D Additivism ao Aceleracionismo, do Black Lives Matter ao #MeToo e #NeverAgain — utilizam manifestos para se apresentar ao mundo. Este ensaio descreve o renascimento do manifesto como um gênero digital em rede, que expande os limites da expressão estética, tecnológica e política, abrindo novos espaços discursivos e imaginativos e forçando novas ideias a entrarem na esfera pública. Ele se encerra apresentando “Words in Freedom”, um novo projeto que é, ao mesmo tempo, uma “Máquina de Manifestos” — um ambiente colaborativo para redigir, projetar e disseminar manifestos — e um banco de dados de pesquisa sobre manifestos.