“Los futuros que nos habitan”
O futuro deixa de ser objeto externo e passa a ser relação viva, tecida no presente. Em vez de controle, a proposta insiste em presença, escuta e abertura ao não saber como condições para imaginar e agir.
O livro “Os futuros que nos habitam”, de Pablo Reyes Arellano e Carlos González Mella, propõe uma mudança de paradigma na forma como percebemos o porvir, afastando-se da visão tradicional de controle e planejamento estratégico. Os autores defendem que o futuro não é um objeto externo a ser previsto ou colonizado, mas sim uma relação viva, encarnada e relacional que emerge de nossas práticas e conversas no presente. Através de uma perspectiva enactiva e transracional, a obra sugere que conhecer o futuro exige presença, escuta e a coragem de habitar a incerteza do “não saber”. O texto explora 11 premissas fundamentais que convidam o leitor a soltar certezas e a redescobrir saberes situados, como as epistemologias do Sul e a inteligência relacional. Além disso, discute a co-enação entre humanos e inteligência artificial como uma nova fronteira de co-criação de sentido. A escrita, descrita como poética e filosófica, busca despertar memórias de saberes esquecidos sobre o viver coletivo. Em vez de oferecer mapas rígidos, o livro funciona como um convite para cultivar o futuro através do cuidado e da responsabilidade ética. Trata-se de uma obra voltada para quem busca novas narrativas além da lógica racionalista e tecnocrática dominante. Em última análise, os autores afirmam que o futuro não se prediz, mas se habita e se tece com o outro. Essa jornada culmina na ideia de que a transformação ocorre no próprio processo de imaginar e cuidar do que ainda não nasceu.